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25 de novembro de 2012

Parábola do samurai


Um samurai grande e forte, de índole violenta, foi procurar um monge pequenino.
- Monge, ensina-me sobre o Céu e o Inferno! - disse numa voz acostumada à obediência imediata.
O monge miudinho olhou para o terrível guerreiro e respondeu com o mais absoluto desprezo:
- Ensinar-te sobre o Céu e o Inferno? Não te poderia ensinar coisa alguma. Tu estás imundo. O teu cheiro é insuportável. A lâmina da tua espada está enferrujada. És uma vergonha, uma humilhação para a classe dos samurais. Desaparece da minha vista! Não consigo suportar a tua presença execrável.
O samurai enfureceu-se. Estremecendo de ódio, o sangue subiu-lhe ao rosto e ele mal conseguia balbuciar uma palavra de tanta raiva. Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e preparou-se para decapitar o monge.
- Isto é o Inferno - disse o monge mansamente.
O samurai ficou pasmado. A compaixão e absoluta dedicação daquele pequeno homem, oferecendo a sua própria vida para lhe ensinar o que é o Inferno! O guerreiro foi lentamente baixando a espada, cheio de gratidão, subitamente pacificado.
- E isto é o Céu - completou o monge, com serenidade.

História zen budista


Foi por acaso que li esta história e não me passou despercebida. Identifico-me, em grande parte, com os ensinamentos desta filosofia de carácter espiritual. E, como não podia deixar de ser, há uma lição a retirar deste pequeno texto.


16 de setembro de 2011

O Natal no Japão




No Japão, o Natal é um pouco diferente do que estamos habituados.

Apesar de muitos japoneses não saberem do que trata o Natal, nem conhecerem a sua ligação com a religião, a maioria das pessoas segue o Budismo ou o Xintoísmo, o que torna o Natal um acontecimento mais comercial que religioso. Outra diferença entre o nosso Natal e o dos japoneses é o facto de se celebrar mais a véspera que o próprio dia de Natal, realidade exemplificada ao longo deste texto.

A partir do final de Novembro, só se ouve músicas de Natal nas lojas e as ruas começam a ser preenchidas de publicidade relacionada com a temática natalícia, sendo comum haver cartazes sobre determinados restaurantes e hotéis a anunciar jantares e espectáculos especiais, invocando um clima romântico para a véspera e dia de Natal.

Há dois costumes peculiares do Natal no Japão: o Daiku e o Bolo de Natal. O primeiro está relacionado com a Nonagésima Sinfonia de Beethoven, que é tocada em vários lugares, às vezes acompanhada por coros enormes, sendo já uma tradição; o segundo é considerado uma bênção para a indústria de bolos japonesa porque todas as pessoas compram um, sendo uma sobremesa indispensável para esta época.

No entanto, por detrás do costume do Bolo de Natal, esconde-se uma piada de mau gosto que se resume no seguinte: as pastelarias procuram vender todos os bolos de Natal antes do dia 24. Deste modo, os que sobram são considerados velhos e estando fora da validade. Por causa disto, mulheres com mais de 25 anos muitas vezes são chamadas de bolos de Natal não vendidos.

Falando em mulheres, principalmente para as que são solteiras, é crucial passar a véspera de Natal na companhia de alguém, num lugar especial, sendo também importante o presente que recebem. Resumindo, todo o serão deverá ser romântico e esplendoroso.

Outra característica do Natal no Japão é o facto de, dentro de uma família, serem os pais a dar presentes às crianças e não estas a darem aos pais, pois apenas o Pai Natal traz presentes, por isso, assim que as crianças deixam de acreditar no Pai Natal, deixam de receber presentes.

Uma (ou mais outra) curiosidade está relacionada com a árvore de Natal: não há pinheiros verdadeiros à venda, apesar de praticamente todas as famílias terem uma árvore de Natal artificial.

Ainda assim, o que mais me impressiona é a velocidade a que as iluminações de Natal nas lojas e locais de comércio aumentam anualmente: um missionário no Japão afirmou que, num período de 7 anos, elas aumentaram aproximadamente 1000%, e que ainda era raro ver o interior das casas com este tipo de iluminações.

Este post contém poucos tópicos sobre o tema e admito ter sido esta a primeira vez que pesquisei sobre o Natal no Japão. De qualquer forma, acho que foi uma experiência divertida e é por isso que vos incentivo a todos a informarem-se sobre esta tradição a la japonesa.

12 de abril de 2011

Mata ne, Samurai Blue!





O dia 22 de Junho de 2006 foi mais um marco na História do Japão: no 2006 FIFA World Cup, a equipa nipónica perdeu 4-1 em relação ao Brasil, dando como certa a sua saída do campeonato mundial, já que, para passar aos oitavos de final, tinha que, pelo menos, ganhar por 2 golos ao Brasil e depender do resultado do jogo entre a Austrália e a Croácia, no qual esta teria que ganhar ou empatar.

Assim despedimo-nos dos Samurai Blue (o novo slogan da selecção japonesa para a campanha do campeonato mundial) e aproveito, deste modo, para postar sobre o futebol japonês, mais concretamente, sobre a selecção: os Nihon Daihyo (os representantes japoneses), os Daihyo (representantes) ou os Zico Japan (o nome do treinador seguido pelo nome do país).

Era a equipa nacional com a melhor classificação na FIFA entre as equipas nacionais asiáticas. O seu maior feito teve lugar nas Olimpíadas de Verão de 1968, na Cidade do México, em que ganhou uma medalha de bronze. Apesar de este acontecimento ter dado um maior reconhecimento ao desporto japonês, a falta de uma liga interna profissional foi a razão pela qual o Japão não seria qualificado para os campeonatos mundiais 30 anos mais tarde.

Em 1991, os donos de uma liga semi-professional de futebol japonês (a Japan Soccer League) resolveram desfazê-la e reformá-la como J. League, com o objectivo de aumentar o prestígio do futebol japonês e fortalecer o programa para formar uma equipa nacional. Com uma nova liga em 1993, cresceu o interesse no futebol e numa equipa nacional.

No entanto, na primeira tentativa para se qualificar para o campeonato do mundo com jogadores profissionais, o Japão perdeu a oportunidade, em 1994, quando perdeu contra o Iraque no último jogo para a apuração. Deste modo, só em 1998 é que aparece pela primeira vez num campeonato mundial, tendo perdido os três jogos que davam entrada para os oitavos de final contra a Argentina, Croácia e Jamaica.

Quatro anos mais tarde, o Japão acolheu o 2002 FIFA World Cup juntamente com a Coreia do Sul. Tendo chegado aos oitavos de final, não conseguiram levar a taça para casa.

É um facto que o Japão tem tido um sucesso muito mais considerável no campeonato asiático, pois ganharam a taça em três das últimas quatro finais, tendo sido os seus principais rivais a Coreia do Sul, seguido pelo Irão e depois pela Arábia Saudita.

Foi no dia 8 de Junho de 2005 que o Japão foi qualificado pela terceira vez consecutiva para entrar no campeonato mundial, neste caso, por ter derrotado a Coreia do Norte por 2-0 na Tailândia. Em 2006, estava no grupo F juntamente com a Austrália, Croácia e Brasil no campeonato, tendo já sido desqualificado (como já tinha referido) depois de ter perdido 3-1 contra a Austrália, empatado com a Croácia e sofrido uma derrota 4-1 contra o Brasil.

Apoiei a selecção japonesa como a minha segunda equipa. E foi com a mesma esperança que voltei a vê-la em 2010.

5 de novembro de 2010

Japão – O nosso abrigo nos dias gelados





É mesmo verdade. Se tivesse possibilidades económicas, não me importava nada de dar um saltinho ao Japão nos dias de Inverno, em que a temperatura máxima nem atinge os 10ºC. Isto porquê?

Na sociedade japonesa, é vulgar encontrar nas casas um kotatsu: uma mesa ligada à corrente eléctrica, encontrando-se, por baixo da sua superfície, um aquecedor. O facto de ser o centro da vida doméstica nos dias de Inverno tem a ver com a inexistência de aquecedores centrais na maioria das casas nipónicas. Além disso, serve tanto para refeições, como para ver televisão e conversar, sempre com as pernas quentinhas.

Para mostrar a importância de um kotatsu no dia-a-dia dos japoneses, posso descrever neste post a história do Kotatsuneko (“O gato Kotatsu”):

O Kotatsuneko é um fantasma gigante de um gato, que, há muito tempo, morreu congelado por ter sido expulso da casa dos seus donos num dia frio de Inverno. O espírito do gato quis vingar-se e jurou amaldiçoar as pessoas que se recusassem dar-lhe abrigo.

Como morreu congelado, sente-se atraído pelo calor. Também se sente atraído pelos kotatsu's porque os seus donos nunca o deixaram aproximar-se de um. Quando descobriu que um kotatsu libertava calor, ficou agradavelmente surpreendido.

O Kotatsuneko é simpático e reservado, e costuma sentar-se debaixo da mesa a beber chá e a petiscar taiyaki’s (panquecas com forma de peixe). Não aborrece ninguém, a não ser que o chateiem primeiro. Sendo um fantasma, tem poderes sobrenaturais incríveis e é imparável quando o irritam.

O motivo por que resolvi escrever sobre este assunto? Achei que pudesse ser um tema interessante para quem gosta da cultura japonesa.

De facto, o kotatsu é um objecto interessante e fora do comum para os ocidentais…